
Em tempos de IAs escrevendo todo tipo de texto parece total sem sentido gastar tempo, parar e escrever. Mas a escrita é só a superfície. Se a ordem das palavras desestabiliza a compreensão, a ordem das coisas no quarto/estúdio está explodindo em caos, o que bagunça o psíquico do indivíduo que habita o espaço, no caso eu, mas também não sei se a bagunça não é reflexo da cabeça, enfim.

Em uma tentativa sísifica de organização, ajustei as moedas pra conseguir rodízios para todos os móveis, agora consigo arrastar as coisas sem destruir muito tudo. No lado menos material da organização também arranjei uma câmera pra melhorar os registros, documentar como estudo, não só como comunicação. A ideia é focar mais nas anotações, passar menos tempo esfregando o dedo na tela do celular esse tipo de coisa, se o conhecimento é produzido no fazer, tem que estar atento pra anotar, e não só gravar pra ficar perdido num cartão de memória por aí. A ideia desse ano é tentar se concentrar mais na pesquisa acadêmica, tem um movimento que precisa ser iniciado nesse campo da minha vida que acabei adiando na pandemia, ideias precisam amadurecer para não apodrecer e a urgência chamou a energia pra isso.
No fio do rodo
Por aqui o ano começou com algumas produções em conjunto com e para amigos. As primeiras foram as experiências com folha inteira junto com o Marcos Paulo (Cerol e Lerdo) que foram registradas pelo Samuca, no vídeo abaixo. 3 cores especiais, rosa neon, amarelo flúor e prata no Curious Matter Adiron Blue 270g no 70cm x 100cm, impressas na garra simples e secador de cabelo. Também teve a gambiarra com imãs, e papel paraná pra tentar manter o registro, mas a idéia era criar 10 exemplares únicos então o jogo da garra, tal qual a direção de uma kombi 83 fez sua mágica.


Outra parada que rolou são as camisetas para a Burocrata carimbos, apesar de achar maneiro, essa parte de estamparia não é muito o meu lance, mas nesse projeto em específico mergulhei por que queria testar algumas coisas, a minha velha/nova multimesa pra imprimir (que constatei que ficou horrível, mas em algum momento mais oportuno reconstruo) e também pegar o manejo fino com o fotolito grande. Pra esse fiz uma mistura de traço na jato de tinta, letras na laser e desenho no pincel atômico faber-castell, que parece ser feito de piche.

Mas janeiro começou mesmo quando o Caboco apareceu por aqui e fizemos alguns pássaros em tecido pra uma obra/performance que ele ia desenrolar. Tudo foi no foite mesmo, digo no sentido stricto da palavra, enquanto ele desenhava os bicho na caneta eu emulsionei as telas, depois ampliamos os originais no vegetal direto na impressora. A ideia de usar cada vez menos o computador pra gerar o fotolito tem habitado as ideias aqui. Em algum momento vou precisar dar uma solução mais resolvida pro fotolito, principalmente pra tamanhos de folha inteira, a forma que tá funciona mas ainda gera um trabalho não muito suave.
Troca de fornecedor
Acho a quantidade de opções de insumos pra serigrafia um tanto quanto limitadas, principalmente se for à base de água, mas a Gênesis geralmente resolve 80% dos meus problemas, o antigo fornecedor o qual eu era refém aos poucos foi deixando de ter materiais da Gênesis e sempre me empurrava o similar, eu no desespero acabava comprando e gastando em dobro, até que cansei fui atrás na Gênesis do representante deles aqui e agora voltei a imprimir do jeito que eu queria.
Bom, esse é o primeiro do ano, vamos ver se consigo todo mês registrar algo. Tem foites maneiros para acontecer nesse semestre ainda, mas faz parte lutar com um certo desânimo intrínseco do existir, ou da forma que acabo existindo, mas sigamos.