É necessário escrever mais

Anotações para lembrar

Saltos ornamentais na beira do penhasco

Bom nexo não é a proposta da coisa, esse texto foi começado e não terminado várias vezes, desde o fim de agosto. Mas o centro da questão é que: agora o foite tem um espaço, o que era pra ser só uma forma de separar a bagunça da impressão de casa e superar o caos da área molhada, virou a ideia de um espaço compartilhado aberto pra receber as pessoas. Junto com o  Felipe Prando que também tava buscando algo similar veio o Beco.

Entramos ali no final de agosto, desde então organizamos alguns eventos, recebemos amigos, alunos e rolou o primeiro workshop do foite, de serigrafia, no espaço onde ele acontece.

Mas tentando retomar a ideia principal desse espaço de ser um registro de trabalho, vou tentar uma pequena lista pra desenvolver em algum momento de 2026:

  • A nova mesa de gravação 100cm x 80cm com estufa
  • A mesa de impressão
  • O tanque e a área molhada

 

Abraçar o caos, sumir na esperança

Esse ano apesar de mais “tempo livre” a produção ficou um pouco difusa, faz pouco mais de um ano que produzi as últimas coisas exclusivamente para o foite. Nos últimos meses alguns obstáculos surgiram: dias cheios, tentativas frustradas de resolver a situação financeira, advogados, aulas e um banheiro vazando no vizinho. Mas, se em 2023 e 2024 as viagens foram pontos motivadores, esse ano foram as visitas (possibilitadas pela a pós graduação) que não deixaram a peteca cair. Em um espírito de tentar ir vendo o que acontece, uma disciplina que poderia ser algo mais teórico tomou rumos inusitados, com visitas a ateliês de impressão e produção de uma revista, além da visita da caçamba gráfica. Esses encontros/desencontros inusitados da vida.

Desmonte forçado da área molhada

O banheiro dos fundos que uso como área molhada e guardo as telas “explodiu” no banheiro da vizinha de baixo em meados de abril, desde então tá desativado e foi esvaziado pro diversos orçamentos de conserto ainda sem solução. É fato que eu precisava reorganizar aquele espaço tirando tudo e recolocando no lugar, mas talvez o ideal é se fosse de uma maneira mais organizada. Ilusões à parte, essa confusão toda foi boa em parte pra dar uma organizada nesses materiais e equipamentos que venho acumulando a quase 10 anos e consegui entender também que não é tanta coisa assim, e que tem coisas que eu fazia de forma improvisada que precisavam ser acertadas, como o espaço pra emulsionar as telas e o suporte de telas. Mas acho que o que ficou mais evidente é que não dá mais pra ter uma serigrafia funcional nesse apartamento, o compactar/descompactar coisas tem afetado mais do que deveria.

Saberes improvisados

Sem o banheiro e também meio sem o quarto, por que a maioria das coisas do banheiro foi pra lá e pra sala, acabei fazendo algumas gravações e impressões improvisadas no banheiro e sala. Imprimir em locais improvisados é sempre um exercício de atenção e cuidado redobrado, acaba sendo um pouco mais difícil. Pra fazer a revista junto com os alunos da pós usamos o espaço de serigrafia do DArtes da UFPR, é engraçado como quando o espaço é um pouco mais preparado tudo flui muito mais rápido. Não acho de todo o ruim ter aprendido a me virar nesse improviso, talvez o que esteja me batendo é que talvez ter algo mais adequado pode me permitir um uso mais frequente e diferente.

O tempo relativo ao tamanho da serigrafia

Desde quando voltei de Fortaleza e comecei o lento processo de mudar as telas pro formato 2, eu vinha me batendo com as telas, durante certo tempo achei que era a minha mesa de gravação pedindo aposentadoria, mas descobri uma coisa que eu não me atentava, o tempo de exposição pras telas amarelas é maior. Claro que depois de descobrir faz todo sentido. Se a tela amarela não difrata a luz chega menos luz a determinados pontos, mas até descobrir foi muita emulsão jogada fora. Esses detalhes às vezes escapam, geralmente vou afinando esses processos quando dou aula, como são muitos alunos e faço e refaço o processo muitas vezes consigo fazer ajustes finos nisso, mas a malha geralmente é aquela cristal branca. Nessa trama  eu consigo gravar com 20/25s de exposição e sair sem ficar soltando, é um risco calculado de subexposição de tela que não é o ideal. Mas nas telas novas para as quais eu estou migrando, o tempo de exposição dobra, nos testes forçados recentes deu 55s na minha mesa, mas acho que se fosse 1m05s ficaria melhor, talvez pra retículas eu precise desse tempo. Mas com 55s abriu tranquilo na mangueira sem jato, na verdade uma mangueira até mais fraca do que a normal que tenho no quarto do foite.

Em algum momento vem imagens.

2025

De setembro a fevereiro são exatamente 156 dias, o que dá mais ou menos umas 3744 horas. É a medida precisa de tempo que separa a última postagem dessa. Essa culpa de não cumprir certos objetivos é algo engraçado. Nesse meio de tempo fiquei fora daqui exatamente por isso, pra tentar fazer de outra forma, seguindo à risca, como se fosse uma última chance, quis ver se no alto desses quarenta anos de existência, pelo menos uma vez, era possível não fugir de uma linha, mas deu errado. E do alto parece que a queda é maior mesmo, fui tentar recolher uns pedaços, mas parece que tem uns pedaços que caíram e se espatifaram em tantos pedaços que vou ter que viver com esses buracos, se remontar algo parecido com  o que era. De toda a forma, voltam as atividades por aqui.

O tempo, sempre o tempo

O tempo, tem sido um tema recorrente esse ano. Mas de qualquer forma, um dos pontos inegáveis é que ele passa, e já faz alguns meses que eu quis me propor a escrever pelo menos uma vez por mês. Nisto que tinha uma pretensão de diário de trabalho, um relatório de campo, mas que se misturou um pouco com a vida, não que esse fosse um cuidado que eu quisesse ter.

Recapitulando, desde abril de 2024 algumas coisas interessantes aconteceram. Em maio comecei a me adaptar com a moto, um movimento com quase 20 anos de atraso, mas que facilitou algumas dinâmicas, principalmente na serigrafia, como pegar coisas nos fornecedores de uma forma mais rápida. A cidade parece que diminuiu um pouco.

Mananafoite ou Foitenana

Algumas das coisas interessantes que aconteceu em maio, foram os amigos do Manana cedendo o espaço pra gente fazer uma oficina de serigrafia. Levei parte das coisas da oficina de casa pra lá e reuni amigos que há tempos falávamos de fazer algo. Esses atos coletivos são alguns dos lampejos que fazem parecer que o tempo passa um pouco mais devagar.

Movimentos em grandes tamanhos

No início do ano, um grande amigo, Leonardo Buggy me convidou pra gente dar um jeito na serigrafia do Ateliê de Impressos, um espaço fantástico em Fortaleza CE. Foram dois dias me entendendo com o espaço, completo pra serigrafia, área seca, área molhada, mesa de impressão com rodo dirigível, telas pra impressão em folha inteira.

Os dois primeiros dias de ambientação foi a luta pra desgravar telas catalisadas, entre nailons arrebentados, químicas do mal, travessias urbanas com telas gigantescas no portamala.

No primeiro dia da vivência, mostrei um pouco das coisas que fui descobrindo ao longo desses anos mexendo com a serigrafia. Mas algo que eu não atentei, o tempo de exposição, foram algumas telas erradas até acertar. No segundo dia imprimimos. Essa vivência deu origem a um grupo de estudos, que povoa o espaço.

No retorno, em um surto impulsivo comprei 4 telas do tamanho meia folha. Só esqueci que eu tinha adaptado todas as minhas coisas para o formato A e o maior tamanho que eu estava imprimindo era A3, enfim, via chegando uma idade que a gente não fica mais procurando explicação ou razão pras coisas, apenas vai se adequando.

#TV on the radio – Wolf like me

Tempo de pensar, tempo de fazer

Esse período entre março e abril foi intenso em outras áreas, estive envolvido até a cabeça em um projeto de design de informação que consumiu todo o tempo, nas brechas em que rolaram alguns foites, tímidos, mas que aconteceram.

Umas cadeiras usando as tintas vinílicas, eu gosto do acabamento e do resultado da vinílica mas ela é impossível pra mim, trabalho em um espaço reduzido, com gatos circulando no espaço o tempo todo. É curioso que fora do país tem opções de tintas serigráficas fine-art que são vinílicas a base de água, algumas marcas que encontrei em uma pesquisa rápida era da SpeedBall e de uma marca norte-americana chamada TW Graphics mais especificamente a linha 500, que tem inclusive acabamentos brilhantes a base de água, no Brasil infelizmente não encontramos essas tintas, fico pensando qual o impeditivo, apesar de imaginar uma resposta.

 

Apesar do resultado ter ficado interessante, um pouco da falta de prática com a tinta vinílica afetou o resultado. E aqui ficam os lembretes dos aprendizados, respeitar as lineaturas de telas, as vezes eu meio que chuto o balde com as telas que tenho disponíveis, mas esse é um fator que afeta. É claro que a maioria das vezes eu quero o erro, mas tem vezes que quero o preciso. Outro lembrete é que pra acertar impressão de pano a gente tem que deixar ele igual um papel, com ferro de passar roupa, mas esse fica mais de anotação pra um próximo texto.

Eu tenho alguns projetos para imprimir esse ano, uma pequena publicação e um zine. Mas também to me preparando para outras coisas em outras partes da vida que vão exigir quase toda a energia que tenho. O tempo é cada vez mais escasso, mas sigamos.

#Malni – Mea Culpa